O Mês de Setembro, a Wentzmania e o Futuro na Philadelphia.

A troca de Sam Bradford.

Terça-feira, 30 de Agosto de 2016, Minessota, 11 dias antes da estreia dos Eagles na temporada 2016. Os Vikings estavam realizando mais um treino de pré-temporada, quando o QB Teddy Bridgewater foi ao chão, sozinho, deixando todos os seus companheiros de time em choque. Mais tarde veio a notícia que todos temiam em Minessota, a lesão realmente era grave, e o jogador perderia toda a temporada.

Quarta-feira, 31 de Agosto de 2016, Philadelphia, 1 dia antes da última partida de pré-temporada dos Eagles. O telefone de Howie Roseman toca na Philadelphia, no visor o nome Rick Spielman, GM dos Vikings, a conversa que se iniciou ali alterou os rumos dessa temporada, e possivelmente das próximas também.

Sábado, 3 de Setembro de 2016. Roseman e Spielman chocam a NFL anunciando a troca de Sam Bradford para os Vikings por uma escolha de primeira rodada em 2017 e uma outra escolha em 2018 que pode variar de uma quarta rodada até uma segunda rodada.

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Sam Bradford em seus primeiros dias com os Vikings.

Poucas horas depois os Eagles anunciam que Carson Wentz será o QB titular assim que se recuperar da lesão sofrida na pré-temporada.

O resto vocês já sabem, três jogos, três vitórias, e MUITA, mas MUITA empolgação na Philadelphia!


As expectativas no início da temporada.

Nem mesmo o mais otimista dos torcedores esperava um início de temporada tão espetacular! As expectativas mais realistas no começo da pré-temporada eram que o Eagles seria um time que brigaria para conseguir 6 vitórias na temporada, Sam Bradford seria o QB titular, Chase Daniel o reserva, e Wentz teria todo um ano de adaptação no banco, sem pressão, para em 2017 iniciar de vez a sua carreira na NFL.

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Da esquerda para a direita: Howie Roseman (GM), Carson Wentz (QB), Jeff Lurie (dono do time) e Doug Pederson (HC), durante o primeiro dia de Wentz na Philadelphia.

O ataque tinha dúvidas nas posições de WR e RB, a OL ainda não transmitia 100% de confiança, o QB era um jovem vindo da segunda divisão do futebol americano colegial, com um potencial enorme, mas que muitos achavam que precisaria de um longo período de adaptação. A defesa continuava com uma interrogação gigante nas posições de CB, mas a contratação do coordenador defensivo Jim Schwartz dava esperanças que a defesa conseguisse no mínimo ser razoável. E para completar um técnico começando a sua carreira como HC na NFL.

O time prometia muito para o futuro, mas o presente ainda era uma grande dúvida, e a maioria dos especialistas e power rankings, colocavam nosso time como um dos piores para 2016.

A oportunidade surgida com a lesão de Bridgewater era excelente para os Eagles, uma oferta bem atrativa para um jogador que inevitavelmente sairia no final do ano, cortado, para abrir espaço para Wentz, selecionado na segunda escolha geral do draft desse ano. Era uma oferta irrecusável, uma troca muito boa para os Eagles, que vem se mostrando cada vez melhor a cada dia.


Um QB chamado Carson Wentz.

No dia 20 de Abril, Eagles e Browns anunciaram um acordo pela segunda escolha do draft desse ano, os Eagles enviaram sua oitava escolha do primeiro round, uma escolha de terceira rodada e uma de quarta desse ano, além da escolha de primeira rodada em 2017 e uma escolha de segunda rodada em 2018. Um preço alto, mas com um objetivo bem definido: draftar Carson Wentz, por quem a comissão técnica e direção estavam apaixonados.

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Carson Wentz jogando por North Dakota State.

Carson Wentz veio de North Dakota State, um programa de grande sucesso na FCS, espécie de segunda divisão do futebol americano universitário nos EUA, onde fez parte do time de 2011 a 2015, quando o time ganhou o campeonato cinco vezes, com Wentz sendo o titular a partir de 2014.

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Apesar do enorme potencial que Wentz apresentava, era esperado que ele precisasse de pelo menos um ano de adaptação ao jogo, fato completamente normal para todo jogador quando entra na NFL, e mais esperado ainda para alguém que veio da segunda divisão. O plano claramente era manter Sam Bradford como titular, enquanto o calouro aprendia o playbook, melhorava sua leitura e progressão, e absorvia o máximo de Sam Bradford, Chase Daniel, Doug Pederson e Frank Reich (os dois últimos foram QB quando jogadores).

Quando Wentz foi anunciado como titular após a troca, ainda havia uma descrença que ele jogasse bem logo no começo do ano, além de todos os fatos citados acima Wentz sofreu uma lesão na costela ainda na primeira partida de pré-temporada contra os Buccaneers.

Um QB inexperiente, em um ataque repleto de dúvidas, sem uma preparação de pré-temporada completa, com toda a responsabilidade de fazer valer a pena o alto valor pago por ele na troca com os Browns. Tudo indicava que as coisas seriam complicadas para o calouro…


Três jogos, três vitórias!

A temporada começou com esse clima de pés no chão para 2016, mas muita esperança para o futuro. Porém o time de Doug Pederson rapidamente fez com que tudo isso mudasse!

Logo na primeira partida contra os Browns, na Philadelphia, tivemos a primeira amostra do que esse time é capaz. Vitória por 29×10, com uma estreia maravilhosa de Wentz que acertou 22 de 37 passes tentados, para 278 jardas e 2 TDs, performance que rendeu para ele o prêmio de calouro da semana 1 na NFL! Jordan Matthews teve 7 recepções para 114 jardas e um TD, também voltando de lesão.

Além da boa atuação de Wentz, a defesa de Schwartz foi muito bem, e o time controlou a bola por mais de 36 minutos, algo impensável durante a era Chip Kelly!

No segundo confronto da temporada, fora de casa contra os Bears, mais uma vitória convincente, 29×14, mais uma bela atuação de Wentz (21/34, 190 jardas, TD), e outra atuação excelente da defesa como um todo.

Depois de duas vitórias convincentes os Eagles começaram a virar assunto na NFL, mas ainda com desconfiança, boa parte dos torcedores rivais e dos analistas diziam que o time ainda precisava ser testado contra outro grande time, e essa oportunidade veio na semana 3 contra os Steelers.

NFL: Pittsburgh Steelers at Philadelphia Eagles

Big Ben e Carson Wentz de cumprimentam depois da vitória dos Eagles. O passado e o futuro se encontrando.

O time de Big Ben vinha sendo apontado como um dos 5 melhores times da NFL, com uma defesa em ascensão e um dos ataques mais poderosos da NFL com Big Ben, Antonio Brown e DeAngelo Willians (que vinha em ótima fase).

Contra os Steelers o time jogou o seu melhor até agora, vitória por 34-3 foi incontestável, a defesa jogou maravilhosamente bem, Wentz teve uma de suas melhores atuações (23/31, 301 jardas, 2 TDs), Smallwood mostrou que pode ser uma arma importante pelo chão (17 corridas, 79 jardas, TD), e os Eagles confirmaram de vez que esse time é real, e tem chances de ganhar de qualquer adversário na NFL.

Os números não mentem, os Eagles são um dos melhores times da NFL no momento, e isso dos dois lados da bola!

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Estatísticas em que o Eagles se encontram no top-10 da NFL no momento.

A defesa vem se destacando semana atrás de semana, Brandon Graham vem tendo seu melhor momento da carreira, com 3 sacks e 1 fumble forçado até agora. Nigel Bradham vem sendo uma grata surpresa entre os LBs, sendo o principal LB do time, presente em campo em 95.7% dos snaps, a dupla de safeties formada por Jenkins e McLeod vem ganhando confiança e melhorando a cada dia.

E por fim temos Fletcher Cox, que foi eleito o melhor jogador defensivo do mês de Setembro de toda a NFC! Parece que Cox vem finalmente recebendo o reconhecimento que ele merece há pelo menos três anos, como um dos melhores defensores da liga! Cox tem até agora 3 sacks, e 1 fumble forçado, e tem tudo para melhorar sua marca do ano passado de 9.5 sacks (melhor de sua carreira).

Não é exagero colocar essa defesa como top 3 da liga no momento!


Nem tudo são flores…

Apesar do bom desempenho o time do Eagles ainda tem problemas (que se resolvidos na próxima pré-temporada nos deixa ainda mais fortes).

A posição de cornerback ainda preocupa. O time tem entrado na grande maioria das vezes em formações com pelo menos 3 CBs, sendo Nolan Carroll o principal (98.8% dos snaps), e as outras duas vagas sendo preenchidas por Ron Brooks (84.8% dos snaps), pelo calouro Jalen Mills (65.9% dos snaps), e Leodis Mckelvin (22% dos snaps).

Mills foi draftado no sétimo round do último round e gerou grandes expectativas com boas performances durante os treinos de pré-temporada. Porém vem sofrendo principalmente com jogadas de muitas jardas, na última partida foram pelo menos 3 passes longos cedidos em sua direção. A tendência é que Mills evolua ainda nas próximas partidas, e que assim que Mckelvin voltar de lesão ele passe a jogar um pouco menos.

No ataque nossos recebedores ainda sofrem com drops, bem menos do que ano passado para sermos justos, mas eles ainda ocorrem. O time deixou de anotar pelo menos um TD nessas últimas semanas por conta de drops, fora outras jogadas que renderiam avanços importantes.

Na OL o Center Jason Kelce vem tendo alguns momentos ruins durante as partidas. Kelce era considerado um dos 5 melhores centers da liga, até sofrer com atuações ruins no ano passado, e com um início de temporada abaixo do seu nível nesse ano.

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Lane Johnson, right tackle, suspenso por 10 partidas por uso de substâncias proibidas.

Por último nosso principal problema para a sequência da temporada: Lane Johnson. O RT foi suspenso por 10 jogos devido ao uso de substâncias não permitidas pela liga, e começa a cumprir sua suspensão agora. Para seu lugar o tive deve deslocar Allen Barbre, que vem fazendo boa temporada, da posição de LG para RT. No lugar de Barbre deve entrar o veterano Stefen Wisniewsky, com a sombra do rookie Isaac Seumalo, que está voltando de lesão. A parte boa é que os Eagles terão quase 10 dias para testar essa nova OL antes de voltar a campo.

 


Wentzmania!

Não tem como negar que o ponto alto dessa temporada para o Eagles tem sido Carson Wentz! Wentz vem sendo o principal jogador do time, e um dos melhores da NFL!

Wentz teve três ótimas atuações, vem anotando números incríveis para um calouro e quebrando alguns recordes, se tornando um dos jogadores mais falados do momento!

Foram 102 passes tentados, 66 deles completos (64.7%), 769 jardas (média de 256.3 por jogo e 7.54 por passe), 5 touchdowns e 0 interceptações, resultando num rating de 103.8, o quinto melhor da liga.

Wentz se tornou o primeiro calouro da NFL a lançar pelo menos um TD em cada um dos seus três primeiros jogos na NFL sem sofrer interceptações, além do atual recordista de passes tentados sem sofrer uma INT nos primeiros jogos como calouro (102).

Mas não só os números que empolgam nas performances de Wentz, ele tem se mostrado um verdadeiro líder dentro e fora de campo. Além disso tem surpreendido com leituras e chamadas na linha de scrimmage, lendo as defesas adversárias como um verdadeiro veterano. Com a bola em jogo Wentz tem sido preciso e vem tomando ótimas decisões. Para melhorar Wentz se mantém calmo dentro do pocket e quando sai dele o faz muito bem. Um jogador aparentemente completo!

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Torcida da Philadelphia com Carson Wentz.

Com o passar das semanas a Wentzmania tem tomado conta não só da Philadelphia mas de toda a NFL! Nesse meio tempo Wentz ainda acumulou algumas premiações:

– Melhor Calouro da Semana (Week 1);
– Melhor Jogador de Ataque da Semana na NFC (Week 3);
– Melhor Calouro da Semana (Week 3);
– Melhor Calouro de Ataque do Mês (Setembro).

E vem recebendo elogios de todos os lados:

“Ele ama assistir aos vídeos. Ele e os outros quarterbacks estão aqui 5:30 da manhã assistindo aos lances e eles estão vendo a fita até a exaustão. Eu escuto ele pelo prédio falando com os caras sobre jogadas, rotas e proteções. É algo com uma pegada Peyton Manning. É ruim dar rótulos para ele, mas era assim como Peyton se preparava. É assim como esses caras no topo se preparam. Ele tem isso agora como um jovem quarterback. Isso vai carregar ele por toda a sua carreira.” – Doug Pederson, técnico dos Eagles.

“Wentz lembra o Peyton Mannign antes do snap, e depois do snap é como o Aaron Rodgers. Ele tentou 102 passes. Ele não lançou nenhuma, nem mesmo uma que chegasse perto de ser interceptada. Suas decisões são impecáveis e seu posicionamento e precisão, eu não sei se ele pode lançar a bola melhor do que ele está fazendo até agora” – Brian Baldinger, analista da NFL.

“Esse time aqui em Pittsburgh não conseguia parar de falar sobre a preparação de Wentz. Da maneira como ele foi absolutamente capaz de tirar vantagem de cada erro. O LB Arthur Moats chegou a dizer, ‘Você não ve normalmente um calouro capaz de fazer isso.’ ” – Aditi Kinkhabwala, jornalista da NFL sobre as reações dos jogadores dos Steelers ao enfrentar Wentz.

“Não só a falta de turnovers, mas a calma que esse garoto tem. Ele não parece ficar nervoso… Carson Wentz parece estar fazendo tudo certo.” – Bill Belichick, técnico dos Patriots.

Cada vez mais a torcida da Philadelphia se apaixona pelo seu QB, e o resto da liga começa a enxergar que algo muito especial vem acontecendo pelos lados da Philadelphia.


O futuro na Philadelphia.

Os Eagles agora tem uma semana de descanso, e enfrentam os Lions na semana 5, em Detroit, no dia 9 de Outubro. Em uma partida que não deve ser das mais simples, mas tem o Eagles como favorito depois do início avassalador da temporada. Em seguida os Eagles viajam para Washington onde enfrentam os Redskins na semana 6, e voltam para a Philadelphia na semana 7 para um aguardado confronto contra os Vikings. As expectativas são de ganhar pelo menos dois desses próximos três jogos, deixando o time em uma posição confortável para a sequência complicada da temporada (Cowboys e Giants fora, Falcons na Philadelphia, Seahawks em Seattle, Packers em casa, Bengals fora, Redskins em casa, Ravens fora, Giants e Cowboys em casa).

As expectativas vem crescendo a cada semana, e nesse momento ficar fora dos playoffs já pode ser considerado uma decepção, e voos mais altos ainda nessa temporada são cada vez mais plausíveis.

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Lincoln Financial Field lotado.

Para as próximas temporadas as perspectivas são as melhores possíveis. Possivelmente achamos o nosso ‘franchise quarterback’, o cara que vai comandar a franquia pela próxima década, e ele é dos bons! Se mesmo com todos os fatores para dar errado presentes Wentz vem jogando nesse nível, é de se esperar que o jovem ainda tenha muito espaço para evolução, melhorando mas ainda, elevando seu nível de jogo e quem sabe transformando o time da Philadelphia em uma dinastia vitoriosa pelas próximas temporadas.

As escolhas da diretoria vem se mostrando cada vez mais acertadas, e esse time deve continuar melhorando na próxima offseasson. Temos jovens talentos em várias posições chave, e uma comissão técnica preparada para vencer, o futuro aparenta ser ensolarado na Philadelphia!

Eagle Eye: Uma Épica Atuação Defensiva, por Fran Duffy

Nesta coluna, retirada e traduzida diretamente do site oficial do Philadelphia Eagles, escrita por Fran Duffy na sua coluna Eagle Eye, trazemos aos torcedores dos Eagles uma análise mais detalhada com vídeos da excelente atuação defensiva da equipe no jogo de domingo contra o Pittsburgh Steelers. Um jogo no qual pass rush e secundária estiveram em pura sincronia por praticamente o jogo inteiro.

Clique aqui para acessar o conteúdo original.

Aqui, podemos ver o quão disruptivo o front seven dos Eagles esteve contra o ataque terrestre dos Steelers. Veja a velocidade que o LB Jordan Hicks reconhece a formação de Pittsburgh, pressionando a linha de scrimmage e puxando o guard no gap. Isso criou um muro que resultou em nenhum ganho no first down. Mais tarde, no mesmo drive, o DE Brandon Graham penetra o backfield e tira três bloqueadores dos Steelers na jogada. O LB Nigel Bradham finaliza a jogada no backfield com um tackle for loss. Os Eagles conteram o ataque terrestre adversário do início ao fim do jogo, resultando em apenas 2 chamadas de corridas dos Steelers no segundo tempo inteiro (incluindo uma corrida na última jogada da partida para acelerar o relógio).

Uma das coisas que Fran Duffy mais ressaltou durante a semana que antecedeu o confronto contra os Steelers era, obviamente, o ataque adversário. Pittsburgh entrou domingo sendo o ataque número 1 da NFL na red zone (5 touchdowns em 5 idas à red zone) e o número 3 em conversões de 3rd down, convertendo 51.6%. Entretanto, no domingo, os Steelers foram 0-2 na red zone e foram limitados a apenas 36% de aproveitamento nas conversões de 3rd down (4 de 11).

Em meio a tudo isso, o que surpreendeu ainda mais foi a baixa produção de Antonio Brown, o melhor WR da NFL nessas situações. Brown, com 6 recepções para 104 jardas e 1 touchdown em 11 passes lançados em sua direção em conversões de 3rd down, entrou o jogo sendo o recebedor mais produtivo neste quesito, mas foi reduzido a apenas um passe lançado em sua direção e nenhuma recepção.

O setor defensivo utilizou diferentes formações de cobertura contra Antonio Brown e o corpo de recebedores dos Steelers, variando entre cobertura mano a mano, cobertura dupla e em certos momentos da partida apenas colocando um safety de sombra em cima de Brown. Os Eagles passaram bastante tempo do segundo tempo de jogo numa formação de Tampa 2 básica e obtiveram êxito.

Na segunda campanha da partida, a defesa dos Eagles enfrentou um 3rd and 5 e jogaram numa formação mano a mano chamada “Cover 1 Man Free”. Esta formação coloca um safety cobrindo o meio e o fundo do campo, enquanto os outros 5 defensores jogam mais próximos da linha de scrimmage. O calouro Jalen Mills marca Brown no mano a mano na ponta, Jenkins, o safety que está cobrindo o fundo do campo, faz a sombra na cobertura para ajuda-lo contra Brown, porém Mills faz uma ótima marcação. Para ajudar, o pass rush contribuiu muito nesta jogada, com Graham e Curry impactando diretamente no passe de Roethlisberger. Hicks coloca pressão no final da jogada e afeta totalmente o passe de Big Ben que sai completamente errático em direção ao WR Eli Rogers no meio do campo.

Roethlisberger teve 51 dropbacks no jogo. De acordo com Duffy, a defesa dos Eagles afetou o QB adversário em 23 desses 51 dropbacks, produzindo sacks, pressionando, acertando o QB, forçando-o a mover-se no pocket e apressando passes. Esses números impressionam ainda mais considerando quantas jogadas de passes rápidos e jogadas de screens os Steelers utilizaram.

Nessa jogada o ataque dos Steelers enfrenta um 3rd and 7 na red zone, duas das áreas onde o time é extremamente eficiente, e mais uma vez a defesa dos Eagles realizou um grande trabalho. A defesa faz a dobra em Brown e o elimina na jogada. A cobertura em zona no meio do campo tira a jogada que Roethlisberger queria fazer, e o pass rush, liderado por Fletcher Cox, realiza o sack no QB.

No vídeo, podemos ver Barwin pulando para bloquear e atrapalhar a linha de passe de Roethlisberger, e isso foi uma constante durante o jogo inteiro. Em apenas 4 de 51 dropbacks Jim Schwartz enviou blitz e quando você consegue afetar o QB adversário enviando apenas 4 jogadores você coloca todo o seu setor defensivo em uma situação muito confortável.

Os Eagles utilizaram várias formações de cobertura com um safety ajudando na marcação de Antonio Brown. Isso permitiu que o cornerback que marcava Brown fosse mais agressivo e pressionasse o WR na linha de scrimmage. No vídeo, vemos um passe completado de 5 jardas em cima de Jalen Mills, numa marcação muito apertada e bastante competitiva do calouro.

Mesmo com uma marcação muito boa da secundária, é preciso creditar a linha defensiva dos Eagles que, como dito anteriormente, conseguiram pressionar Roethlisberger com apenas 4 jogadores por quase toda a partida. Quando isso acontece, os coordenadores de defesa podem colocar os safeties cobrindo os principais recebedores ou colocar marcação dupla na secundária. E isso foi e tem sido a chave do sucesso para o esquema defensivo dos Eagles.

Neste vídeo vemos Curry alinhando em 9-technique por fora do TE. Curry consegue livrar-se do bloqueio do RT e colocar as mãos em Roethlisberger. Na maioria dos QBs da liga, esta jogada provavelmente teria resultado em um fumble, mas Big Ben é muito forte e consegue se manter em pé e fazer o passe, entretanto, Curry é recompensado com seu segundo esforço acertando o QB por trás e ajudando a errar o passe. Outro jogador que merece o crédito na jogada é o LB Jordan Hicks que faz uma excelente marcação em DeAngelo Williams no meio do campo e consegue colocar o jogador no chão no momento do passe.

Algumas jogadas depois, a defesa dos Eagles enfrenta um 3rd and 10. Roethlisberger está procurando por Brown na ponta. A defesa, com Mills e Jenkins, coloca marcação dupla no WR, então Big Ben volta os olhos para o meio do campo onde está Eli Rogers, mas o S Rodney McLeod faz uma grande jogada e quase intercepta o passe de Roethlisberger.

Aqui, uma jogada de puro instinto de Malcolm Jenkins. Estamos em um 4th and 5 e os Steelers colocam Antonio Brown em uma das suas rotas favoritas (rota drag) em situações de passe curto. Jenkins reconhece a rota de Brown e sai do fundo do campo para aplicar uma das grandes jogadas defensivas dos Eagles na partida. Por muito pouco a bola não é interceptada e talvez levada para a end zone.

Aqui temos outro exemplo de cobertura e pass rush funcionando em conjunto. Uma marcação dupla de Jenkins e Mills em cima de Brown e um excelente pass rush da linha defensiva. Todos os quatro jogadores de linha fazem um grande trabalho pressionando Roethlisberger e forçando-o a segurar a bola até sofrer o sack.

Na jogada seguinte, a defesa dos Eagles alinhou com uma formação Tampa 2 com dois safeties defendendo o fundo do campo e 5 jogadores mais abaixo em cobertura por zona. E novamente a linha defensiva fez um excelente trabalho com apenas 4 jogadores, com Graham e Barwin pressionando nas pontas, enquanto Cox, com muita força e velocidade, domina o OG pro bowler David DeCastro, transformando a jogada em um sack e fumble para a defesa dos Eagles.

No final do terceiro quarto os Eagles utilizaram uma formação pouco usada nesta temporada: dime package, no que consiste em quatro jogadores de linha defensiva, um linebacker e seis defensive backs. Esta foi a única vez na partida que Roethlisberger lançou em direção à Antonio Brown num 3rd down. Num primeiro momento, Brown estava livre para o first down, porém, devido a pressão exercida pela linha defensiva, Roethlisberger teve que segurar a bola e avançar no pocket, lançando um passe incompleto e forçando-os a um 4th down.

Nesta jogada no segundo quarto, saindo de um play-action, Jenkins fica isolado no mano a mano com Brown, um confronto que os Steelers queriam. Brown percorre uma rota perfeita, fingindo um corte em direção ao fundo do campo, forçando Jenkins a virar seu quadril antes dele virar-se para o lado oposto da lateral numa rota deep over. Em transição, Jenkins volta seus olhos a jogada, mantem-se perto de Brown, desvia o passe e quase consegue a interceptação. Uma jogada de pura resiliência de Jenkins.

Mais uma grande jogada de Malcolm Jenkins, que esteve por todas as partes do campo no domingo. Aqui, Jenkins executa perfeitamente o tackle e evita o avanço do WR dos Steelers numa jogada de screen pass. A defesa dos Eagles esteve tão bem no domingo, limitando o ataque dos Steelers a apenas 3 jardas após a recepção. A 3ª melhor marca neste quesito por qualquer defesa nesta temporada.

Nesta jogada no terceiro quarto, ele novamente, Malcolm Jenkins. Em uma das poucas oportunidades que o ataque dos Steelers encontrou um recebedor “livre” num passe mais longo, Jenkins veio com muita velocidade para o tackle, evitando a recepção do recebedor.

Para finalizar, a única interceptação dos Eagles na partida. Rodney McLeod cobre 40 jardas de campo na jogada e pratica uma jogada espetacular para colocar um ponto final em uma atuação épica do setor defensivo.

Crédito: Fran Duffy, insider do site oficial do Philadelphia Eagles.

Por que Carson Wentz está tendo sucesso?

Guru brasileiro da NFL para grande parte das contas do twitter, o OQuarterback descreveu em sua coluna na Liga dos 32 os motivos do sucesso imediato de Carson Wentz na liga. Confira o texto abaixo e não deixe de seguir ele e a Liga dos 32 no Twitter e no Facebook.


Se você me dissesse que o Philadelphia Eagles iria começar a temporada com três vitórias eu ia achar possível, apesar de improvável. Se você me dissesse que o Eagles alcançaria essas três vitórias com Carson Wentz tendo o melhor desempenho de um quarterback novato desde Peyton Manning em 1998 eu acharia impossível. Contrariando todas as expectativas que eram colocadas em cima do Eagles nessa pré-temporada (eu mesmo, nas minhas previsões, não acreditava que Philadelphia teria esse sucesso imediato), o time vem jogando em altíssimo nível e já se coloca como favorito na NFC East nesse início de temporada.

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Não haviam muitas dúvidas sobre a defesa do Eagles: a chegada do excelente Jim Schwartz como coordenador defensivo aliado a um plantel que conta com jogadores de qualidade elevada já indicava que a unidade jogaria em alto nível de imediato. O que surpreende muito nesse time da Philadelphia é como o ataque está acertado com um quarterback que até o ano passado jogava na 2ª divisão da NCAA (ele foi só o 5º QB da 2ª divisão escolhido no primeiro round do Draft, o último sendo Joe Flacco em 2008) contra times cuja maioria dos jogadores hoje não joga mais futebol americano.

Como se explica esse sucesso imediato e surpreendente de Carson Wentz? Porque ele fez de bobo todos que, durante a avaliação do Draft, acreditavam que ele precisaria de um período de desenvolvimento antes de atuar na NFL? É isso que vou explorar na coluna dessa semana, com ajuda de dados do site Pro Football Focus.

Para começar, olhem essa jogada (retirada através do NFL Game Pass) do primeiro quarto do jogo do Eagles contra o Pittsburgh Steelers nesse último domingo. Essa é uma das formações que o técnico Doug Pederson mais vem utilizando (shotgun empty spread com quatro wide receivers e um tight end alinhado na linha ofensiva) e que explica bastante do sucesso do Wentz.

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Uma das sacadas geniais do Pederson foi simplificar o seu playbook ofensivo o máximo possível para Carson Wentz. As jogadas são desenhadas para ele fazer o passe rapidamente, nada de leituras elaboradas ou esperar os seus recebedores se desvencilharem da marcação adversária. Com isso, Wentz tem o quarto melhor rating (aquela conta que junta passes completos, passes tentados, jardas de passe, touchdowns e interceptações) da NFL em passes onde a bola saiu das mãos do quarterback em 2.5 segundos ou menos e uma média de 7,7 jardas por passe.

Com essa tática de passes rápidos e curtos, a linha ofensiva não precisa se preocupar tanto com as pressões adversárias já que a bola sai das mãos do quarterback rapidamente. Mesmo assim, o trabalho de Lane Johnson e companhia vem sendo excelente, só cedendo 19 pressões (sendo só dois sacks) nos três jogos até agora, o que facilita bastante o trabalho de um jogador se estabelecendo na liga. Lógico, até agora o Eagles não enfrentou nenhum time que tivesse um front seven (DLs e LBs) de respeito então é ver como será o trabalho dessa linha ofensiva quando for enfrentar defesas mais complexas como a do Minnesota Vikings.

Quem assistiu o Monday Night Football da Semana 2 no SAP deve ter ouvido o comentarista (e ex-técnico) Jon Gruden falando como ensinou o Wentz a ter mais segurança com a bola nas mãos durante seu QB Camp antes do Draft. Em North Dakota State, Wentz muitas vezes ficava com a bola em uma só das mãos e corrigiu isso após a aula de Gruden. Ou seja, a segurança de Wentz com a bola é outro diferencial que explica seu sucesso, são cinco touchdowns e nenhuma interceptação até agora (ele sofreu três fumbles, nenhum perdido e dois desses foram mais culpa do center Jason Kelce na hora do snap do que qualquer outra coisa) e até agora quase não tomou decisões que colocassem a bola em situação de risco, como passe no meio de marcação e afins.

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Um dos grandes pontos de discussão sobre Wentz no Draft era sua instabilidade nos passes, mesmo contra times fracos da 2ª divisão da NCAA sua porcentagem de passes completos era baixa e isso foi uma das coisas que me chamaram mais a atenção ao estuda-lo. Nessas três semanas ele completou 64,7% dos passes tentados (66 de 102), mas se olharmos nos passes de verdade (aqueles que não sofreram drop ou bolas jogadas fora) a porcentagem aumenta para 80,4%, o que é a melhor marca na NFL até o momento.

O último ponto que quero destacar é a posse de bola do Eagles nesses três primeiros jogos. Eles estão com uma média de 36min47s de posse de bola, lideram a NFL nesse quesito e é muito maior do que a média que eles tinham no ataque up-tempo de Chip Kelly em 2015 (25min51s). Mais tempo com a bola significam mais huddles, mais comunicação entre técnico e quarterback e uma maior tranquilidade para Wentz saber o que está fazendo sem se desesperar em iniciar a jogada logo. Também implica que a defesa do Eagles entra em campo bem mais descansada, o que aumenta o leque de opções de Jim Schwartz para o que fazer.

É absolutamente improvável que Carson Wentz mantenha esse nível tão elevado pela temporada inteira, ainda mais se levarmos em conta que a semana de folga do Eagles nessa temporada já é nessa Semana 4. Com 13 jogos consecutivos pela frente e os times tendo mais material para estudar o que o técnico Doug Pederson vem fazendo, é normal que pelo meio da temporada sua produção caia. De qualquer forma, não há como negar que esse sucesso imediato de Wentz é uma ótima notícia para a torcida do Eagles a longo prazo já que conta com um quarterback de alto nível pela próxima década e que pode trazer o tão sonhado Super Bowl para a cidade do Rocky Balboa.


Confira aqui o post original do texto.

 

 

Defesa perfeita e Wentz inspirado destroem Steelers

Não foi como esperávamos, foi muito melhor! Com show defensivo e mais uma atuação de gala de Carson Wentz, o Eagles conseguiu uma grande vitória contra o Pittsburgh Steelers e chegou à sua terceira vitória em três semanas. Com isso, a franquia é uma das 5 equipes que estão invictas na liga.

O jogo começou complicado, com o ataque do Steelers levando a melhor sobre a defesa de Philly no primeiro drive. Big Bem, Eli Rodgers e Antonio Brown – principal jogador do time adversário, conseguiram mover as correntes até a linha de 30 jardas, de onde chutaram o Field Goal. Bem posicionado, Bennie Logan bloqueou o chute, mesmo sem querer, determinou o que seria o restante do jogo.

Eagles conseguiu abrir o placar logo depois. Após uma recepção de 40 jardas de Darren Sproles, Caleb Sturgis acertou o FG e colocou o time à frente no placar: 3-0. O respiro também não demorou. Com um drive irretocável, Carson Wentz passou para o seu primeiro TD na partida no 2º quarto. Jordan Matthews fez uma rota ‘Post’ e Wentz o encontrou livre para entrar na Endzone. 10-0 Eagles.

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A única pontuação do Steelers na partida veio de um FG antes do intervalo, rapidamente respondida na mesma moeda pela franquia de Philadelphia. Após 30 minutos de jogo, as equipes foram para o vestiário com uma vantagem de 10 pontos para os donos da casa, 13-3.

A volta ao jogo guardava um resultado inesperado. Com um 3º quarto perfeito, o Philadelphia Eagles matou o jogo. Foram 21 pontos, e o primeiro TD do período foi uma pintura. Todos os detalhes da conexão de Wentz para Sproles de 73 jardas você lê aqui.

Depois disso, Smallwood e Barner, com ótimas corridas colocaram ponto final na partida. O improvável estava feito. O time em reconstrução, com um QB novato, havia destruído um dos favoritos ao Superbowl e o placar final mostrava isso: 34-3 para o time de Philly.

Carson Wentz

Wentz, mais uma vez, teve um jogo memorável. Ele tentou 31 passes e acertou 23 – quase 65% de aproveitamento. Foram 301 jardas e 2 touchdowns em mais uma partida sem sofrer interceptações. Além disso, Wentz esbanjou confiança em ótimos passes e muita calma no pocket. Aos poucos, ele vai mostrando que apostar nele como futuro da franquia foi uma escolha mais que acertada.

Agora, Wentz tem 102 passes tentados sem interceptações nos três primeiros jogos como profissional. Ele é o segundo melhor calouro no quesito na história da NFL, apenas atrás de Warren Moon – QB que está no Hall da Fama do esporte.

NFL: Pittsburgh Steelers at Philadelphia Eagles

Crédito: James Lang-USA TODAY Sports

Defesa x Ataque

O time tem também o melhor diferencial de pontos de uma equipe da NFL até aqui. São 92 pontos feitos e 27 sofridos e saldo positivo de 65. A estatística aponta o Eagles como o melhor ataque e a melhor defesa da liga.

Na próxima semana, o time está de folga e só volta a jogar no dia 9 de outubro, pela semana 5, às 14h (horário de Brasília)

‘Por dentro do touchdown de Darren Sproles, na visão de Carson Wentz’ – por Adam Hermann

O passe recebido para touchdown de 78 jardas de Sproles no início do terceiro quarto da partida contra os Steelers, foi uma das jogadas mais bonitas do time nos últimos anos, e uma das mais bonitas do ano em toda a NFL até agora. Na jogada Carson Wentz mostrou toda a sua habilidade ao sair do pocket e realizar um bonito passe em movimento para o camisa 43, que abrilhantou a jogada com seus cortes espetaculares em cima da defesa dos Steelers.

Adam Hermann, do Bleeding Green Nation, fez uma análise da jogada na visão de Carson Wentz, traduzimos o texto para o português para que todos pudessem saber um pouco mais dessa pintura! O texto original pode ser encontrado em: http://www.bleedinggreennation.com/2016/9/26/13055074/a-look-inside-the-darren-sproles-touchdown-from-carson-wentzs-eyes.

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“Doug Pederson estava de pé na linha de 33 jardas, a direita do ataque dos Eagles. A linha de scrimmage era a linha de 27 jardas. Era uma terceira para oito.

Carson Wentz pegou o snap no shotgun, Darren Sproles alinhado a sua direira, com as mãos nos joelhos.

Wentz fez um drop de 3 passos, olhando para a esquerda, e Stephon Tuitt dos Steelers deu a volta em Allen Barbre e estava mirando o quarterback calouro dos Eagles.

‘Eu na verdade estava lendo o outro lado do campo, e então vi alguém dos Steelers passar bem em frente aos meus olhos,’ disse Wentz. Era Tuitt, um borrão branco e amarelo voando na linha de visão de Wentz.’

‘Eu fui para fora,’ disse Wentz, ‘e liguei o modo scramble.’

Ele fingiu um passe na linha de 29 jardas, duas jardas atrás da linha de scrimmage. Isso gerou uma rápida congelada em Cameron Heyward dos Steelers, uma fração de segundo a mais para que Wentz decidisse o que fazer.

‘Eu vi Carson correndo para meu lado, e Darren estava literalmente bem em minha frente,’ disse Doug Pederson.

Wentz olhou para as suas opções. Depois do jogo ele disse que eles estava prestes a correr, mas decidiu que Sproles era a sua melhor escolha.

‘Eu fui para fora do pocket e vi Sprolesy,’ Wentz disse. ‘Ele fez uma rota para a lateral do campo.’

Pederson sabia no que Wentz estava pensando. Pederson só estava torcendo para que Sproles não tivesse pisado fora de campo ainda. Pederson checou, e ele não tinha. Os próximos dois segundos passaram em câmera lenta, disse Pederson.

‘Ele apenas fez a bola flutuar para a lateral,’ disse Pederson.

Para Wentz, era uma escolha fácil. Ele disse que ele sempre gosta de conectar com o running back veterano.

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‘Qualquer momento em que você puder colocar a bola nas mãos do 43, qualquer coisa especial pode acontecer, em qualquer jogada.’ disse Wentz.

Sproles pegou a bola na linha de 48 jardas.

Ele correu pela lateral, fazendo um corte uma vez na linha de 40 jardas do adversário contra Sean Davis, e de novo na linha de 17 jardas, mais uma vez contra Davis, e então mais uma vez na linha de sete jardas, dessa vez contra Davis e Artie Burns.

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Doug Pederson olhou para trás da linha de scrimmage, como ele sempre faz em jogadas longas, para garantir que não tinham bandeiras no chão.

A visão de Carson Wentz estava encoberta por um homem enorme com uma barba grande.

‘Kelce veio correndo direto em minha direção e eu acho que estava comemorando um pouco adiantado,’ disse Wentz rindo. ‘Eu estava gritando para ele sair de minha frente. Eu perdi parte da jogada, então eu estou bem animado para dar uma olhada nela nos melhores momentos.”

E que momento foi aquele!.”

PHILADELPHIA EAGLES x PITTSBURGH STEELERS

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O começo é melhor que o esperado. Mesmo em ano de reformulação, com um QB calouro e que assumiu a titularidade 5 dias antes da temporada começar, as duas primeiras semanas do Eagles foram mágicas. Com vitórias convincentes contra Browns e Bears, o time divide a liderança da divisão com o New York Giants e terá no próximo domingo o maior teste do ano. Enfrenta um dos favoritos ao Superbowl e rival de estado: Pittsburgh Steelers.

Não há como reclamar do time até aqui. Ataque tem média de 29 pontos por partida e a defesa cede 12. Por mais que argumentem que o Eagles não pegou times bons – o que é verdade – podemos responder que o time fez o que deveria ter feito: ganhar por boa margem de pontos.

Além disso, o time não se complicou nos jogos. Foram duas partidas sem turnovers do ataque. Enquanto isso, a defesa gerou 5. E assim é que deve continuar sendo. O ataque de Doug Pederson é conservador, mas eficiente. Não proporciona ao adversário muitas chances de roubar a bola e tenta manter a posse de bola por muito tempo.

Não a toa, o Eagles é o time com o maior tempo de posse de bola até aqui: são mais de 37 minutos de posse por jogo. Com isso, o ataque adversário fica menos tempo com a bola e tem menos chances de pontuar. O playcalling – chamadas de ataques executadas durante a partida – também é alvo de elogios. O time não é unidimensional. São 6 TDs até aqui: 3 aéreos e outros 3 correndo.

Falando individualmente, o Eagles também está bem representado. Carson Wentz é o melhor QB ranqueado pelo Pro Football Focus (PFF). O calouro vem jogando como um veterano, fazendo bons passes e ficando longe dos turnovers. Só está cometendo um erro: Wentz está se expondo muito, levando muitos tackles e ficando suscetível a uma lesão. Não pode!

Na defesa, o destaque é Brandon Graham. O DE também está liderando a lista de sua posição no mesmo site que Wentz. No último jogo, Graham brilhou: conseguiu 2 sacks e 2 tackles for loss.

O próximo jogo será complicado, mas não impossível. A defesa melhorou em relação à primeira partida. Nolan Carroll fez um ótimo jogo, Jalen Mills também foi bem e o front seven conseguiu pressionar Jay Cutler e Brian Hoyer. A receita tem que ser a mesma. O time não pode dar tempo para Big Ben achar Antonio Brown.

O ataque deve continuar fazendo sua parte. Se ficar muito tempo em campo e fizer algo perto de 30 pontos, podemos ter a vitória no domingo. É difícil, sim, mas o time está se mostrando equilibrado e pode beliscar essa vitória. E aí, você acredita?

Eagles x Steelers não terá transmissão do EI e nem da ESPN. Lembrando que os dois times se enfrentaram na preseason, com vitória do Eagles – o que não quer dizer nada!

Classificação – (Vitórias na divisão)
New York Giants – 2-0 (1-0)
Philadelphia Eagles – 2-0 (0-0)
Washington Redskins – 0-2 (0-1)
Dallas Cowboys – 1-1 (1-1)

Jogos da semana
Eagles vs Steelers
Giants vs Redskins
Cowboys vs Bears

Trocas: Bradford, Wentz e o talento de Howie Roseman

howie-2Há dezenove meses, quando Chip Kelly aprontou um arruaço em Philly por querer mais poder, Howie Roseman – o então General Manager do time – foi escorraçado. Diziam que ele não entendia de futebol, que ele não era de fácil relacionamento e que a maior parte dos problemas do Eagles seriam solucionados com sua saída.

À época, Chip conseguiu o que queria, mas, inteligentemente, Jeffrey Lurie (dono da franquia) não abriu mão de Howie. Afinal, ele já está no Eagles há quase 20 anos e nunca tinha tido problemas de relacionamento até encontrar o ego de Chip Kelly. Hoje, tudo mudou. Chip não teve sucesso com poder nas mãos. Muito pelo contrário: o fracasso do ex-técnico de Oregon foi enorme à frente do time e do front office do Eagles. Resultado: demitido!

Apesar das críticas, Roseman voltou com tudo e deu a volta por cima. Capitaneou uma das melhores offseason do Eagles, reestruturou contratos, renovou com jogadores importantes, apostou em jogadores sólidos no Free Agent e draftou um QB que pode ser o futuro da franquia: Carson Wentz.

O xeque-mate

Quando tudo parecia finalizado e se encaminhava para um início de temporada tranquilo e sem novidades, Howie Roseman aparece com mais uma tacada genial. Desesperado atrás de um QB, após a lesão de Teddy Bridgewater, Rick Spielman – GM do Vikings – ligou para Howie perguntando se ele trocaria algum de seus QBs.

Após 48h de conversa, Howie aceitou uma escolha de 1st round (2017) + 4th round (2018) por Sam Bradford. Por mais que Bradford fosse o QB titular do Eagles, ele não vale isso. A diretoria da franquia renovou com ele sabendo que mais cedo ou mais tarde ele seria moeda de troca, mas não se achava que ele fosse valer tanto. Segundo alguns jornalistas, a intenção era pegar o 2nd round de volta.

Como ele faz isso?

Não é a primeira vez que Howie consegue uma troca positiva para o Eagles. Em 2011, o Zika das Trocas conseguiu mandar Kevin Kolb – QB reserva em Philly – para o Arizona Cardinals. Ele recebeu uma escolha de 2nd round + o CB Dominique Rodgers-Cromartie, que era um dos melhores da posição.

Três anos mais tarde, na mesma semana, Howie trocou o NT Isac Sopoaga por um 4th round. Logo depois, pegou essa escolha e trocou pelo RB Darren Sproles, que foi Pro Bowler nos dois anos em que jogou pelo Eagles.

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O início da Era Wentz

Alguns meses antes da saída de Bradford, o Eagles tinham ido atrás de Carson Wentz no draft. O preço alto pago na época, com a negociação por Sam Bradford, ficou muito mais palatável. É como se o Eagles tivesse pago um 2nd round + 3rd round por seu possível QB do futuro.

O objetivo era que ele ficasse um ou dois anos aprendendo mais sobre o jogo, com um grupo de treinadores que é conhecido pelo sucesso em desenvolver quarterbacks., mas as circunstâncias mudaram. No próximo domingo, no jogo contra o Browns, Wentz será o QB titular e o torcedor está empolgado. A expectativa é que Wentz mostre o talento que o fez ser a segunda escolha do draft de 2016. E se depender da confiança de Howie nele, ele vai mostrar.